Mangualde

Mangualde, situado num planalto fronteiro à Serra da Estrela e marginando pelo Norte o rio Mondego, foi devido à sua situação geográfica, ocupado natural e sucessivamente por várias civilizações desde a pré-história até aos nossos dias,como o comprovam monumentos deixados pela civilização dolménica, o espólio encontrado nos castros existentes, as escavações arquelógicas que permitem a descoberta de vilas romanas.
Assim, em 1102, ainda não eram decorridos 40 anos após a conquista de Coimbra pelos Cristãos aos Mouros, o Conde D. Henrique e D. Teresa , antes da independência de Portugal, deram foral as terras de Zurara, entre o Dão e o Mondego. Este foral foi confirmado por D. Afonso II aquando das Ordenações Afonsinas entre Fevereiro de 1217 bem como por D. Manuel I em 1514 pelas ordenações Manuelinas.
O território do concelho de Mangualde foi povoado desde remotas eras sendo abundante os vestígios das civilizações pré-históricas. nomeadamente da civilização dolménica. Dentro desta destacam.se as Antas ou dolmens que vulgarmente são conhecidas por Orcas.
A orca da Cunha- Baixa uma das maiores e mais conservadas da Península lbérica é monumento nacional desde 1911.
Há a referir ainda outros monumentos megalíticos como a "Orca dos Padrões" em Vila nova de Espinho, "Orca dos Braçais" em Outeiro de Espinho. "Orca de Gandufe" e a "Anta da Sra do Castelo" localizada nas abas do monte da Sra. do Castelo, mas há muito já destruida pela ignorância do homem.
Normalmente atribui-se uma ocupaçao pré-romana ao monte de Nossa Sra. do Castelo, onde teria existido um castro e posteriormente uma fortaleza romana.
Os romanos desejosos de se expandirem e atraidos pelas inúmeras riquezas naturais da Penísula-Ibérica, nomeadamente a exploração mineira, iniciam em finais do séc. II a.C, a sua ocupação progressiva, que irá perdurar até ao séc. V, altura em que toda a Europa ocidental é assolada por invasões bárbaras Com a romanização, há uma autêntica difusão e assimilação das estruturas culturais, politicas, sociais, económicas e religiosas por parte dos povos que então habitavam a peninsula.
O concelho de Mangualde, foi também intensamente ocupado, espalhando-se os vestígios desta época por mais de três dezenas de locais que podem ir desde modestos casais a aglomerados populacionais mais densos.
Como era inevitável também estas terras viriam a sofrer toda a sorte de calamidades ocasionadas pela apocalíptica passagem dos Bárbaros no séc.V, assim como duas centúrias mais tarde as causadas pela imparável arremetida muçulmana. Estes teriam ocupado o monte da Sra. do Castelo, cujo alcaide teria sido um mouro de nome Zurara, passando então a fortaleza a chamar-se "Castelo de Zurara ou Azurara", dando origem ao antigo nome deste concelho, "Azurara da Beira". |
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Penalva do Castelo

Vila Nova do Santo Sepulcro, Castendo, Penalva do Castelo, nomes para esta terra da Região Demarcada do Queijo da Serra da Estrela e do Vinho do Dão.
O nome teve origem na existência de antiquíssima fortaleza (na margem direita do rio Alva), de que não restam vestígios. A mais antiga referência, que se conhece, a Penalva ("Pena Alva"), diz respeito à tomada do castelo aos mouros pelo rei de Leão e Castela, Fernando o Magno, em 1058, depois das conquistas de Lamego e Viseu.
O primitivo núcleo da vila ter-se-á situado nas margens do rio Om, actual Dão, entre este e o rio Coja.
Segundo alguns estudiosos, os restos da antiga vila misturam-se com as ruínas (na Quinta do Mosteiro, em Trancozelos) do templo da ordem monástica do Santo Sepulcro, talvez o primeiro da Península, sob protecção de D. Afonso Henriques e de sua mãe. Assim, ficou conhecida por Vila Nova do Santo Sepulcro.
Há, igualmente, vestígios que comprovam os povoamentos celta e romano.
A antiga sede concelhia localizava-se em Castelo de Penalva, documentada já em 1058.
Castendo recebeu carta de foral de D. Sancho II em 1240 e D. Manuel I outorgou-lhe novo foral em l0 de Fevereiro de 1514.
Primitivamente Castendo, passou a designar-se pelo nome actual por decreto de 4 de Agosto de 1957. Ainda hoje, porém, é costume algumas pessoas, sobretudo as mais idosas, referirem-se à Vila pelo topónimo antigo, como exemplifica a expressão: "vou à feira a... Castendo".
Ao visitar-se o concelho, deparamos com quadros paisagisticos de grande beleza, entre os vales dos rios e as encostas das serras.
Para além desta riqueza natural, existe um património arquitectónico de interesse, do qual destacamos a Casa da Ínsua ou Solar dos Albuquerques (2ª metade do séc. XVIII), um dos exemplares de casas solarengas na Beira); o Pelourinho; a Igreja da Misericórdia, de traça barroca; as pontes romanas de Castelo de Penalva e Trancozelos; as ruínas do Mosteiro do Santo Sepulcro; a capela da Senhora do Ó, em Corga; sepulturas antropomórficas; a anta da Serra de Esmolfe,... testemunhos que atestam o povoamento pré-histórico da região.
Trata-se de um concelho essencialmente agrícola, sendo de salientar as culturas da vinha (produção de vinho do Dão) e da maçã (realce para a "Bravo de Esmolfe", qualidade bastante apreciada e originária desta aldeia) e a pastorícia (fabrico de queijo da Serra da Estrela). Existe ainda uma larga tradição no campo artesanal, nomeadamente a latoaria e a cestaria/esteiraria.
Uma última referência para a gastronomia típica do concelho, a qual se insere na da região: feijão branco com carne de porco, arroz de grelos com chouriço, arroz de favas com costeletas em vinha de alhos, feijão com couves, torresmos à Beira Alta, bacalhau assado no forno com batata a murro... |